O Livro das Trivialidades

É o meu primeiro texto escrito na Alemanha. É muito pessoal, como tudo ou quase tudo o que escrevi a partir dos meus quarenta anos. Terminado em 2002, saiu na Europress, Lisboa, em 2009. Iniciei-o, esqueci-o no computador, o que em mim não é inédito, antes a regra geral; retomei-o. Trata-se, como resolvi chamar-lhe perante a impossibilidade de o inserir em género consagrado, de um divertimento sob a forma de ensaio romanceado, sem intenção vanguardista, apesar do que a leitura possa talvez sugerir. O Livro das Trivialidades foge, pois, a géneros literários, e daí a dificuldade de o classificar. Procura evocar a vida, apostrofá-la em seu improviso uma vez por outra mais caprichoso. É sisudo em certas passagens, noutras possivelmente leviano, numas e noutras quiçá ridículo. E é como que um balanço de vida, de juízos e afetos, encontrando-se nele algumas referências pessoais mais ou menos deformadas ou transfiguradas.